Prefeitura de Manaus, por meio da Semsa e Semed, lança projeto que busca ensinar primeiros socorros a alunos da rede municipal.
A Prefeitura de Manaus, por meio das secretarias municipais de Saúde (Semsa) e de Educação (Semed), lançou o Samuzinho Manaus na tarde desta quarta-feira, 9/9, com uma aula magna que reuniu gestores, servidores e acadêmicos bolsistas do projeto. A iniciativa do Samu 192, vinculada à Semsa, tem o objetivo de aproximar a comunidade escolar do serviço municipal e difundir noções de primeiros socorros e prevenção de acidentes entre alunos da rede municipal de ensino.
Alcance e público-alvo
O projeto prevê alcançar 580 crianças de 9 a 12 anos, matriculadas a partir do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, em oito unidades de ensino da Semed Manaus, nas zonas urbana, rural ribeirinha e rural terrestre da capital.
As escolas contempladas são: Centro Integrado Municipal de Ensino (Cime) Dra. Viviane Estrela Rodella (DDZ Norte); escola municipal Djalma Passos (DDZ Centro-Sul); escola municipal São João (DDZ Oeste); escola municipal Catarina da Paz (DDZ Leste 1); escola municipal Roberto dos Santos Vieira (DDZ Leste 2); escola municipal Joaquim da Silva Pinto (DDZ Sul); e as escolas municipais José Sobreira do Nascimento e Profª Maria Isabel Melgueiro, ambas do DDZ Rural, situadas nas zonas rural ribeirinha e rural terrestre.
O secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, destacou que o projeto vai alcançar 580 crianças de oito unidades da rede municipal de ensino, das zonas urbana e rural, difundindo o papel e a importância do serviço municipal de urgência entre os jovens estudantes. “Estamos muito felizes porque é mais uma iniciativa em parceria com a Semed, e seguindo a orientação do prefeito Renato Junior de unirmos esforços e trazermos projetos inovadores para aproximar cada vez mais a prefeitura da população”, declarou Nagib.
O titular da Semed, Arone Bentes, afirmou que a formação de crianças em primeiros socorros é prática comum em países desenvolvidos e que o projeto contribui para a cidadania. “É um exercício da cidadania e uma aula para a vida, e deve começar cedo. O projeto é voltado a crianças de 9 a 12 anos, idade em que elas estão mais preparadas para aprender, e com ele teremos realmente uma população preparada para o exercício da cidadania”, afirmou o secretário.
Conteúdo e metodologia
Por meio do Samuzinho Manaus, o Samu 192 vai ensinar aos alunos noções sobre o funcionamento do serviço móvel de urgência e sobre os cuidados imediatos na atenção a vítimas de acidentes ou mal súbito. O projeto é desenvolvido com o apoio da Escola de Saúde Pública da Semsa (Esap Manaus), por meio do Programa de Extensão em Serviços de Saúde (Proext Saúde), e em parceria com a Semed.
Cada turma terá aulas expositivas e práticas simuladas com bonecos e acessórios. O conteúdo está dividido em quatro eixos: funcionamento do Samu 192 e como relatar ocorrências e evitar trotes; reconhecimento e atendimento em parada cardiorrespiratória; identificação e condutas em casos de acidente vascular cerebral (AVC); e atendimento a engasgo. Cada eixo terá três horas de atividades, totalizando 12 horas de formação.
Segundo a coordenadora do projeto e apoio técnico da Gerência de Enfermagem do Samu Manaus, enfermeira Ivany Vinhote, na etapa inicial, até outubro, a equipe participará de treinamentos sobre questões éticas e legais e trabalhará metodologias e trilhas formativas do curso. “Queremos trabalhar metodologias ativas, com foco não só na saúde e na educação como no desenvolvimento da cidadania das crianças, no sentido de elas conhecerem e terem mais segurança ao vivenciarem situações de emergência no cotidiano”, aponta a coordenadora.
A diretora da Rede Pré-Hospitalar Móvel e Sanitária da Semsa, Elen Assunção, informou que as crianças serão capacitadas para identificar situações de urgência e emergência em casa e que o projeto contribuirá para mitigar o uso inadequado do 192. “O projeto também contribui para mitigar o uso inadequado do 192, quando elas entenderem a importância do atendimento e das condutas do Samu. Isso irá diminuir os números de trotes, que ainda recebemos muito, principalmente de jovens em idade escolar”, disse.
O grupo de trabalho é composto por dez profissionais, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos do Samu Manaus, uma pedagoga da Semed e um supervisor da Esap Manaus. Completam a equipe de extensionistas três acadêmicos dos cursos de Medicina, Enfermagem e Pedagogia.
Formação, cronograma e previsão de atividades
A equipe do projeto participou de palestra do gerente técnico do Samu Manaus, Eduardo Fernandes, que apresentou as origens do projeto, sua adaptação para a realidade brasileira e a edição-piloto realizada em 2023. “Como projeto de extensão, queremos ganhar um espaço ainda maior para essa iniciativa e colher bons frutos para a população de Manaus”, pontuou o gerente.
Após a preparação, as atividades nas escolas têm previsão de iniciar em novembro deste ano, em unidades da zona urbana, com pausa durante o recesso escolar e retomada no início do ano letivo de 2027, nas zonas rural terrestre e ribeirinha.
Origens e identidade local
Criado no Distrito Federal em 2007, o “Projeto Samuzinho” é hoje desenvolvido por prefeituras e unidades do Samu 192 em diferentes regiões do país. Em Manaus, as primeiras articulações começaram naquele período e evoluíram até uma edição-piloto em 2023, adaptada à realidade local pela enfermeira do Samu, Gisele Torrente, com o apoio do Núcleo de Educação em Urgência do serviço.
Para criar maior proximidade com o público infantil, o Samuzinho Manaus ganhou uma mascote com características que remetem à população e à cultura da região, apresentada com pele morena, olhos castanhos e elementos inspirados na identidade amazônica.
A edição-piloto de 2023, realizada em formato reduzido, alcançou 95 alunos de três escolas da cidade. Neste ano, em parceria com a Esap Manaus, a iniciativa prevê atingir mais alunos e escolas, com equipe maior e conteúdos ampliados.
A coordenadora Ivany Vinhote, que participou do piloto, classificou o projeto como uma ação transformadora de educação em saúde, capaz de aproximar crianças do Samu 192 e despertar interesse pela área. “Ele aproxima as crianças do Samu e as inspira a enxergar novas possibilidades para o futuro, despertando o interesse e a afinidade com a área da saúde e mostrando que, por meio da educação, do conhecimento e da dedicação, elas também podem, um dia, tornar-se profissionais do serviço”, aponta a coordenadora.
Ivany Vinhote e a equipe esperam que o projeto cresça e chegue a mais escolas nas zonas urbana e rural. “Nosso sonho é que ele se torne um programa permanente do Samu, alcançando cada vez mais crianças e aproximando o serviço da comunidade por meio da educação em saúde”, conclui.
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