O motociclista por aplicativo Ismael Gomes compareceu espontaneamente a uma unidade policial de Manaus nesta segunda-feira (15), para prestar esclarecimentos sobre a acusação de agressão feita pela corretora de imóveis Márcia Santos. Ele nega qualquer envolvimento no episódio e afirma que não chegou a realizar a corrida solicitada pela mulher, sustentando a sua versão com dados do aplicativo e registos de geolocalização.
Segundo Ismael, na madrugada em questão ele circulava por bairros da zona centro-sul da capital à espera de chamadas, quando aceitou uma solicitação atribuída a Márcia nas imediações do Caritó. Ao chegar ao ponto indicado, explicou que várias pessoas o chamaram, mas nenhuma correspondia à passageira identificada na corrida. Por já ter iniciado o serviço no sistema, decidiu aguardar alguns minutos no local antes de o encerrar, procedimento que, segundo ele, ficou registado na plataforma.
O condutor relata que, como a passageira não apareceu, finalizou a corrida ainda no mesmo ponto e permaneceu nas proximidades à espera de novas solicitações. Em seguida, aceitou outro pedido em bairro diferente, percurso que, conforme afirma, também pode ser comprovado através do GPS da motocicleta e do histórico do aplicativo.
Ismael contou ainda que decidiu procurar a polícia após perceber que a sua imagem começou a circular nas redes sociais, acompanhada de acusações e ameaças. Segundo ele, a exposição colocou em risco a sua segurança e a da família. Acompanhado de advogados, o motociclista passou por diferentes delegacias até prestar depoimento formal, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.
Versão da denunciante
Márcia Santos, conhecida por integrar a escola de samba Mocidade Independente de Aparecida, declarou à polícia que foi vítima de agressões após solicitar uma corrida por aplicativo, com saída do Caritó e destino ao bairro Flores. De acordo com o relato, o condutor teria alterado o trajeto e parado em uma área do bairro Petrópolis, onde um segundo homem se aproximou numa outra motocicleta, armado.
Ainda segundo a denunciante, os dois homens teriam cometido as agressões físicas e exigido a senha do seu celular. Mesmo após fornecer a informação, o aparelho não teria sido desbloqueado. Márcia afirma que foi abandonada no local e só conseguiu ajuda ao chamar outro motorista, que a levou até uma delegacia para registar a ocorrência.
O caso segue sob apuração da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que analisa as versões apresentadas, imagens de câmeras de segurança e dados técnicos dos aplicativos envolvidos para esclarecer os fatos.