A Polícia Federal (PF) identificou Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como ‘Alan do Índio’, como o principal líder do Comando Vermelho (CV) no Amazonas e o responsável por comandar, à distância, o núcleo jurídico da facção desmantelado nesta quinta-feira (6), durante a Operação Roque, um desdobramento da Operação Xeque-Mate.
De acordo com as investigações, Alan do Índio enviava ordens a quatro advogados presos em Manaus, que atuavam como intermediários entre os líderes detidos e os membros do grupo criminoso em liberdade. Esses advogados repassavam bilhetes, recursos e instruções operacionais para a manutenção das atividades do CV dentro e fora dos presídios.
Alan, que segue foragido, é acusado de continuar no comando do tráfico de drogas no estado mesmo após deixar o Amazonas. Segundo a PF, ele vive atualmente em uma comunidade no Rio de Janeiro, de onde exerce influência sobre o crime organizado na região Norte.
As autoridades revelaram que o traficante passou por múltiplas cirurgias plásticas no rosto e utiliza documentos falsos para despistar a polícia e facilitar viagens ao exterior. Imagens divulgadas pela corporação mostram a mudança drástica na aparência de Alan ao longo dos últimos anos.
O criminoso já havia sido preso em 2017, suspeito de negociar armas com outras facções, mas após ser solto, reforçou sua posição no comando do CV, tornando-se um dos 13 conselheiros principais da facção, que atua em diversos estados brasileiros e em países vizinhos da América do Sul.
O superintendente da PF no Amazonas, João Paulo Garrido Pimentel, afirmou que Alan e outros líderes viviam com alto padrão de luxo, financiado pelo tráfico internacional de drogas. “Essas lideranças do crime organizado faziam viagens frequentes ao exterior, promoviam a aquisição de veículos e artigos de luxo”, declarou o superintendente.
As prisões dos quatro advogados, Ramyde Washington Abel Caldeira Doce Cardoso, Janai de Souza Almeida, Alison Joffer Tavares Canto de Amorim e Gerdeson Zuriel de Oliveira Menezes, ocorreram em Manaus, e os alvos são apontados como responsáveis por manter as ordens de Alan e de outros líderes do CV em circulação dentro do sistema prisional.