O Amazonas encerrou 2025 com 2.798 alertas de desmatamento, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O total é o menor desde 2017 e representa redução de 28,20% em comparação a 2024, quando foram registrados 3.897 alertas. A área desmatada no estado foi de 72.116 hectares, contra 79.672 hectares em 2024, queda de 9,48%.
Monitoramento e coordenação técnica
Os números são acompanhados diariamente pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), que usam os dados para direcionar ações de fiscalização em campo. Além das informações oficiais do Inpe, o Ipaam consulta imagens do Programa Brasil MAIS, com atualização diária e alta resolução, para aprimorar a identificação das áreas afetadas.
Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, os resultados refletem o fortalecimento do monitoramento e a atuação integrada entre órgãos. “O acompanhamento diário das informações do Inpe, realizado pelo CMAAP, aliado ao planejamento das ações em campo e à integração com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e demais órgãos, têm permitido reduzir os alertas e a área desmatada no Amazonas. Esse trabalho técnico e contínuo é fundamental para orientar a fiscalização e consolidar esses resultados”, afirmou Picanço.
Núcleo de Autuação Remota e uso do DETER
O Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP) do Ipaam implementou, em setembro de 2024, um Núcleo de Autuação Remota. De acordo com o técnico ambiental Bruno Affonso, a autuação remota acelera a resposta do estado: “O sistema DETER possibilita identificar o desmatamento quase em tempo real, o que permite priorizar áreas críticas e direcionar as ações de fiscalização. Com a autuação remota, conseguimos dar mais celeridade às respostas do Estado e evitar a continuidade do dano ambiental”.
Municípios com maior registro e dados sobre multas
Conforme o Inpe, os municípios com maior número de alertas em 2025 foram Apuí (543), Lábrea (334) e Boca do Acre (232). Em área desmatada, Apuí liderou com 18.517 hectares, seguido por Lábrea com 12.227 hectares e Novo Aripuanã com 6.410 hectares.
No conjunto das ações de fiscalização em 2025, o Ipaam aplicou R$ 271.927.822,07 em multas ambientais, das quais R$ 179.323.720,04 referem-se a infrações por desmatamento ilegal. Em 2024, o total aplicado foi de R$ 193.961.970,83, incluindo R$ 106.166.109,90 por desmatamento.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, relacionou os resultados à atuação integrada entre a Sema, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e o Ipaam, com emprego de monitoramento, inteligência e operações em campo. “O empenho da SSP e a atuação técnica do Ipaam foram decisivos para ampliar a presença do Estado nas áreas críticas. Esse esforço também se traduz nos dados históricos de focos de calor, que foi o menor já registrado em 23 anos de monitoramento do Inpe”, destacou.
O Ipaam esclarece que os valores aplicados em multas não correspondem automaticamente a valores arrecadados, pois autos podem estar em fase de defesa, recurso ou julgamento. Os valores efetivamente arrecadados com multas ambientais são destinados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema), administrado pela Sema, para financiar ações e projetos de proteção ambiental no Amazonas.
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