Operação da Polícia Civil do Amazonas prendeu 20 suspeitos por agiotagem, extorsão e lavagem de R$ 24 milhões e atingiu estados fora do Amazonas.
A Polícia Civil do Amazonas prendeu 20 investigados por agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro na manhã de quarta-feira (20/05), como parte da Operação “Covil do Mamon”. As ações ocorreram em Manaus e em outros estados, incluindo a captura de dois policiais militares em Santa Catarina, conforme informou a corporação.
Prisões e alcance interestadual
Segundo a polícia, os 20 presos integram duas organizações criminosas responsáveis por homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro e cárcere privado. Dos detidos, sete foram interceptados em Manaus e 13 fora do Amazonas, com prisões também em Paraíba, Roraima e Santa Catarina.
“Na manhã de hoje (quarta-feira), a Polícia Civil realizou mais uma investigação qualificada para combater dois núcleos de organizações criminosas, que estavam voltadas para auferir lucro através de extorsão e agiotagem. Essa operação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Metropolitana. (…) O núcleo operacional, o núcleo financeiro e o núcleo mandatário dessas organizações foram presos e responderão por uma série de crime”, afirmou o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga.
Ações e apreensões
A operação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de 42 veículos e sete imóveis. Houve ainda bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete pessoas jurídicas ligadas aos investigados, de acordo com a polícia. Foram apreendidos armas de fogo, espadas, mídias, computadores e celulares, que passarão por análise pericial.
Esquema investigado
De acordo com a investigação, os grupos operavam um esquema de empréstimos com juros exorbitantes que se transformavam em cobranças violentas quando não pagos nas datas combinadas. As vítimas eram submetidas a ameaças, extorsões, tortura, sequestros e, em alguns casos, homicídios.
“É importante lembrar que não se trata de simples empréstimos. São, na realidade, casos de empréstimos a juros abusivos, extorsivos. Temos casos de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. Temos casos que a dívida progrediu em uma progressão que não se justifica para mais de R$ 400 mil. É uma forma extremamente inescrupulosa de cobranças através de lesão corporal, ameaças acintosas. Temos catalogados homicídios, também derivados desses atos de cobrança”, relatou o delegado do 20º Distrito Integrado de Polícia, Fernando Bezerra.
As apurações também apontaram que o esquema de lavagem de dinheiro ultrapassava as fronteiras do Amazonas, alcançando Paraíba, Roraima e Santa Catarina. A ação conjunta entre departamentos de Polícia Metropolitana (DPM), Inteligência de Polícia Civil (DIPC), Polícia Técnico-Científica (DPTC), Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM) foi citada como essencial para localizar alvos fora do estado.
“O trabalho conjunto, esse esforço de comunicação entre as agências de inteligência, o nosso núcleo de inteligência da Polícia Civil, foi fundamental para que nós conseguíssemos localizá-los no estado de Santa Catarina e a prisão foi efetuada”, completou o delegado-geral da PC-AM.
Posição da Polícia Militar
Conforme o diretor de comunicação da PMAM, major Andrey Oliveira, os policiais militares presos já respondiam a processo criminal e estavam suspensos das atividades. “Reafirmamos que Polícia Militar do Amazonas não compactua com esses casos de corrupção policial. Eles já respondiam a um processo administrativo disciplinar anterior e aguardaremos o desfecho dessa investigação da Polícia Civil, desse novo caso, para colocar ação administrativa novamente em cima desses policiais e, quem sabe, conseguir a exclusão de policiais que não compactuam com o dever da Polícia Militar, de preservar a união pública e de ser uma instituição correta de segurança”, enfatizou.
A investigação identificou o núcleo diretivo, o núcleo operacional, o núcleo logístico e o núcleo financeiro das organizações. Segundo os responsáveis pela apuração, a ação representa um avanço no desmantelamento da cadeia criminosa, e uma segunda fase da operação está prevista para aprofundar indícios e possíveis novos alvos.
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